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Boa tarde! Hoje é Sexta-feira, 15/12/2017

Fal Azevedo - Crônica/Receita- F* pra C* - digressões sobre um aniversário

Nasci perto do carnaval. O que quer dizer que todas as minhas festas de aniversário foram bailes à fantasia, até eu fazer 12 anos, ter minha vida virada de cabeça para baixo e sofrer algumas perdas irreparáveis, dentre elas, minhas festas de aniversário.  E eu adorava minhas festas. Ah, Deus, eu adorava festejar meus aniversários com odaliscas, piratas, padres (por que tantas crianças se fantasiavam de padre na década de 70?), jogadores de futebol, domadores, reis, marcianos e bonecas. Além disso, minha boa mãe geralmente me fantasiava de palhaço, coisa que eu amava. Cada ano eu era um palhacinho diferente (um ano eu até usei uma peruca azul!!!). A vida, senhores, era muito boa. Em pleno milagre econômico, um médico bem-sucedido podia muito. E minha mãe gastadeira se aproveitava disso para me dar as mais deliciosas festas (e não apenas para mim: meu irmãozinho, nascido em abril, tinha como tema de seus aniversários, a Páscoa, com direito a ovos de chocolate, coelhinhos, as festas para ele eram lindas também). Nossas festas tinham um mágico chamado Sandro, todo santo ano tava ele lá. Palhaços. As decorações mais maravilhosas. E, ahá, comida. E que comida.

Primeiro que antes, muito antes dessas coisas virarem moda, meu velho e saudoso pai ia ao parque do Ibirapuera e alugava os moços de carrinho de comida por um dia. Lá iam eles, os moços e seus carrinhos, servir cachorro-quente, algodão-doce, churros, sorvetes e outras barbaridades cometidas em nome da junkie food, para aquela garotada faminta e hiperativa. Além disso, queridos, eu tinha uma avó. Não uma avó qualquer, uma Avó, com “A” maiúsculo, a de “A Mais Prendada”. Nunca subestimem a importância duma avó prendada na vida duma criança comilona. A santa produzia a mais absurda quantidade salgadinhos e docinhos por quilômetro quadrado antes de cada festa.

-         Fabinha, que salgadinhos você quer que a vovó faça pra sua festinha?

-         Saugaudinho, vó.

-         Eu sei amor, mas quais? De quais você gosta mais?

-          Saugaudinhs, vó.

-         Eu entendi, meu bem, mas quais?

-         Todos, vó. Faz saugaudinho?

 

E a santa ia lá e fazia, docinhos e “saugaudinhos” para alimentar um batalhão. E fazia os bolos também. Aliás uma de suas muy brilhantes carreiras era a de boleira. Hoje em dia, eu sei, chama “culinarista”, mas a vida era mais simples naqueles tempos, e vovó era boleira mesmo. Paragrande orgulho da família, ia gente de toda São Paulo, dos distantes bairros da Móoca e Tatuapé, de Campinas e Guarulhos e até “vizinhos” do Ibirapuera e cercanias na casinha modesta dela no Jabaquara (Jabuca, para os iniciados), encomendar os mais belos bolos de casamento que a cidade já tinha ouvido falar. Até hoje encontro com senhoras que, sabendo que sou neta da Dona-Cida-do-Jabaquara, me conta que casou com bolo dela, ou conhece quem casou.

Vaí daí que os senhores imaginem nossos bolos de aniversário, pois não? Os que me lembro melhor são um bolo com cara de palhaço, um coelhinho LINDO, branco, todo flocadinho que ela fez pro meu irmão e, num ano de glória, também pro meu irmão, a doida fez um trenzinho, CADA VAGÃO ERA UM BOLINHO, os animaizinhos nas janelas confeitados com glacê, um perfeito trenzinho infantil, uma delícia de ver e de comer. O “projeto timha mais de dois metros de comprimento, um espanto, um espanto.

Vovó fazia os mais incríveis ovos de Páscoa também, mas deixo esse assunto para a próxima coluna, não quero matar vocês de inveja.

 

Meu aniversário acaba de passar e agora chega o aniversário do Bem Feitinho. O nosso Bem Feitinho faz 3 anos, a criança mais querida que já se viu. Eu tenho um orgulho imenso, que beira o pecado, de fazer parte dessa equipe. Me sinto fazendo parte dum grupo de eleitas. Deus abençoe o dia em que a nossa adorada Mariza comprou um computador e resolveu fazer um site culinário melhor, muito melhor, dos que os que a gente via por aí. Ela nunca deixa de nos encantar, de nos surpreender. Eu estou certa em chamar o Bem Feitinho de criança, porque a Mariza o trata como um filho. É o site mais bem-cuidado, paparicado, atualizado e bonito de ver que eu conheço (e eu conheço, muito bem, vários, culinários ou não). A Mariza trata a nós, colunistas, como amigas de infância, com doçura, e carinho. Sua mão firme também vem na medida exata e mesmo uma escritora destrambelhada, desorganizada e não-cumpridora de seus deveres como esta que vos fala, acaba quase – quase! – se comportando como uma boa moça sob seus cuidados.

É aniversário do Bem Feitinho, e que ele viva mais 100 anos. Mas, todos os parabéns devem ser para essa mulher corajosa, valente, que enfrenta um montão de coisas pra fazer a vida de cada um de nós mais gostosa, mais deliciosa, mais suculenta. Como ela.

 

Mariza, ser sua colunista é meu orgulho e minha alegria.

Tenho por você a mais profunda admiração. Você é fodona pra caralho (hohohoh, vocês não acharam realmente que eu ia acabar essa coluna sem nenhum palavrão, né, fios?). E um dia eu vou crescer (na cabeça, porque de tamanho chega) e vou ser como você, Mariza.

Beijo suas mãos, querida. Seja feliz. 

(Querido leitor, clique ali do lado, e cate as receitas de saugaudinhos que Dona Mariza disponibilza para nós: elas dão certo, são as melhores receitas dessas coisas maravilhosas do demônio, muito melhores do que qualquer uma que eu pudesse dar).


 

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